Ensinar pelo Exemplo
Essa matéria teve como fonte o Livro de Recursos para Noite Familiar, Construindo uma Família Forte, Ensinar pelo Exemplo. Esse é um livro que os Mórmons usam para uma reunião familiar chamada Noite Familiar, e você pode aproveitar algumas dessas idéias para a sua própria família.
Elder H. Burke Peterson, um líder na Igreja Mórmon, falou sobre o dever de um pai para com sua família e que ele precisa estar preparado para “ouvir”. “lembrem-se, pais, que você está sempre ensinando – tanto para o bem quanto para o mal. Sua família esta aprendendo os seus modos e as suas crenças” (The Father’s Duty to Foster the Welfare of His Family (O Dever do Pai para Nutrir o Bem-Estar da Sua Família), Ensign, nov. 1977, p. 88, tradução livre).
Quando os pais desejam ensinar seus filhos valores específicos, eles o fazem mais poderosamente através do exemplo. Através de amor e desejo de ouvir, entender e compartilhar suas crenças mais profundas, os Mórmons ou em outras palavras, os pais, ensinam pelo exemplo. O exemplo a seguir ilustra como o que pensamos que estamos ensinando pode não ser realmente aprendido.
O que David Aprendeu
A lição da Noite Familiar naquele dia foi sobre amor. A família falou sobre maneiras que podemos demonstrar amor uns pelos outros. O pequeno David de sete anos de idade disse que poderia mostrar amor para suas irmãs mais novas não sendo malvado com elas – mesmo se elas mexessem nas coisas dele. “Eu não vou nem empurrar nem bater ou xingá-las”, ele disse com orgulho. O seu pai concordou que era uma boa idéia e David saiu daquela Noite Familiar determinado a ser gentil com suas irmãs.
A noite seguinte, David estava tentando consertar o pedal de sua bicicleta quando sua mãe o chamou para o jantar. Ele respondeu: “estou indo”, mas como ele estava quase terminando, ele continuou trabalhando no pedal. Sua mãe o chamou novamente. David respondeu: “tudo bem”, mas ele continuou trabalhando no pedal.
Quando o pai de David sentou-se à mesa a mãe de David disse: “Eu já chamei o David duas vezes, mas ele ainda não veio. Eu gostaria que ele me ouvisse mais”. O pai de David, que estava com fome e ficando impaciente, se levantou da mesa e foi onde David estava. David ainda estava trabalhando na sua bicicleta. “O que está acontecendo aqui David?” gritou o seu pai. Ele pegou David da bicicleta e o empurrou fortemente em direção a casa.
“Mas pai, eu só…”
“Sem desculpas, Eu estou ficando muito bravo e cansado com suas desobediências constantes! Agora, já para casa!” e ele empurrou David novamente na direção da casa.
David estava muito bravo ao entrar em sua casa. Ele pensou “Papai não quer que eu empurre ou brigue com minhas irmãs quando elas me fazem ficar bravo, mas ele pode ficar me dando empurrão! Ele diz que eu devo ser legal para com minhas irmãs e demonstrar amor a elas, mas ele não age como se me amasse”.
- Se falarmos a nossos filhos para ser amáveis e gentis, mas tratá-los com brutalidade e impaciência, o que eles aprenderão?
- Se o pai de David sente que sua brutalidade é justificável, as suas palavras sobre amor são válidas?
- Se o pai de David não se arrepender de sua brutalidade, o que o David aprenderá?
- Ainda que o pai de David seja imperfeito, como ele pode ser um bom exemplo para o seu filho? Admitindo suas faltas e mostrando a seu filho que ele se arrependeu.
Frequentemente os pais falham em ver que estão ensinando mais do que tem intenção. Os exemplos tem mais significados para uma criança do que podemos imaginar. Elder Vaughn F. Featherstone, um outro líder na Igreja Mórmon, falou de um pai que entendeu a importância do seu relacionamento diário com o seu filho.
“Alguns anos atrás quando Aldin Porter era presidente da Estaca Boise Norte, ele passou na casa de Glen Clayton, que era o Chefe de Escoteiros em sua ala. Glen e seu filho estavam trabalhando juntos para consertar uma bicicleta. O Presidente Porter ficou em pé conversando com eles por alguns minutos e então saiu. Algumas horas depois ele voltou e o pai e o filho ainda estavam trabalhando juntos na bicicleta. O Presidente Porter disse: ‘Glen, com o que você ganha por hora você poderia ter comprado uma bicicleta nova, considerando o tempo que você está perdendo consertando essa velha’.
Glen se levantou e disse: ‘eu não estou consertando uma bicicleta, eu estou treinando um garoto!’” (Conference Report, out. 1976, pp. 153-154, tradução livre).
- Você consegue identificar algumas vezes que seus filhos aprenderam com você apenas pelo modo como vocês passam o tempo juntos?
- Quando sua criança aprendeu alguma coisa importante com você, mesmo que estivesse tentando ensinar alguma coisa em particular?
- O que tal evento o ensina sobre amar e ensinar pelo exemplo?
“Estou convencido” disse o Presidente Ezra Taft Benson, que, antes de sua morte, foi um profeta Mórmon, “que antes que um filho possa ser influenciado para o bem por seus pais, deve haver uma demonstração de respeito e amor” (Conference Report, abr. 1981, p. 46, tradução livre).
Ouvindo como um exemplo. Uma maneira importante de passar os nossos valores para os filhos é ouvi-los. É ouvindo o que eles tem a dizer que eles aprendem a nos ouvir. O Presidente Ezra T. Benson ofereceu alguns conselhos em como fazer esse grande trabalho:
“Encoraje seus filhos a lhes procurar para se aconselharem sobre os seus problemas e dúvidas ouvindo-os todos os dias. Fale com eles sobre assuntos importantes como namoro, sexo, e outros assuntos que poderão afetar o seu crescimento e desenvolvimento, e façam isso cedo o suficiente para que eles não obtenham informações de fontes duvidosas” (The Honored Place of Woman (O Lugar Honrado da Mulher), Ensign, nov. 1981, p, 107, tradução livre).
- Qual pode ser o resultado quando não ouvimos ou compartilhamos experiências com nossos filhos?
- Quais são as conseqüências de ouvir e partilhar?
Elder Robert L. Backman do Primeiro Quorum dos Setenta (uma seção na organização da Igreja Mórmon) deu o seguinte exemplo da influência da boa comunicação entre pais e filhos:
“Eu conheço pais que têm um grande relacionamento com seus filhos. As linhas de comunicação são amplamente abertas entre eles, criando um laço de confiança e confidência que é bonito de se ver. Trabalhando no jardim um dia de verão, ele pode ouvir seu filho em uma conversa séria com um amigo do outro lado da cerca. O amigo estava perguntando algumas duvidas que todos temos quando crescemos. Ao invés de responder as perguntas, o filho disse: ‘Por que você não pergunta o seu pai sobre essas coisas?’ Seu amigo respondeu: ‘Você quer dizer que você pode falar com seu pai sobre essas coisas?’
Ao entrevistar um jovem que havia quebrado a lei moral de Deus, eu perguntei a mim mesmo quantos deles poderiam ter se livrado daquela experiência destruidora da alma se eles tivessem tido uma comunicação aberta e ensinamentos morais consistentes de seus pais” (What the Lord Requires of Fathers (O que o Senhor requer dos pais), Ensign set. 1981, p. 8, tradução livre).
Avaliando sua comunicação com a sua família, considere as seguintes perguntas:
- Eu realmente ouço todos os membros da minha família?
- Eu passo um tempo de qualidade com cada membro da minha família?
- Eu mostro minha crença sobre cada membro da família? Como?
E se os seus filhos não corresponderem ao seu exemplo? Muitos pais insistem que seus filhos sejam perfeitos, ainda que seus pais não sejam. Só porque os filhos não respondem ao exemplo exatamente como seus pais gostariam que eles fizessem, não quer dizer que os filhos sejam teimosos.
Ensinar nossos filhos princípios corretos e prover os exemplos apropriados não garantem que eles viverão os princípios ou que seguirão os nossos exemplos. A sua liberdade de escolha os dá o direito de escolher seguir ou não. Entretanto, devemos nunca desistir deles.
O Presidente Kimball deu o seguinte conselho: “Eu tenho visto as vezes filhos de boas famílias sendo rebeldes, resistentes, se desviando, pecando e eventualmente lutando contra Deus. Com isto eles trazem sofrimento para seus pais, que têm feito o seu melhor … para ensinar e viver como exemplos. Mas eu tenho visto repetidas vezes muitos desses mesmos filhos, depois de anos de perambulação, amadurecem, compreendem o que eles tem perdido, arrependem e fazem uma grande contribuição à vida espiritual da sua comunidade. A razão pela qual eu acredito que isso pode acontecer, apesar de todos os ventos da adversidade aos quais esse povo ficou sujeito, é que eles foram influenciados ainda mais, muito mais do que podemos imaginar, pelos lares onde eles foram criados…
Certamente não existe nenhuma garantia que pais justos sucederão sempre em criar seus filhos, e certamente podem perdê-los se não fizerem tudo o que está ao seu alcance. Os filhos têm o seu arbítrio…
O que sabemos é que os pais justos que se esforçam para desenvolver influências positivas para seus filhos serão considerado sem culpa no último dia, e nisso eles sucederão em salvar a maioria de seus filhos, senão todos” (Spencer W. Kimball, Conference Report, out. 1974, p. 160, tradução livre).
Seus filhos aprendem mais valores sobre o que você faz do que o que você diz. Considere as seguintes perguntas ao ensinar seus filhos os seus valores:
- Estou vivendo da maneira que gostaria que meus filhos vivessem?
- Eu compartilho com meus filhos o significado espiritual de minhas experiências diárias?
- Quando meus filhos reclamam ou ficam perguntando, eu os ensino ou fico impaciente?
- Se meus filhos fazem escolhas erradas, eu trabalho para ensiná-los melhor ou eu os deixo de lado?
- Se meus filhos são miseráveis por causa de escolhas erradas, eu ofereço disciplina em amor ou eu os rejeito? Eu me sinto hostil em relação a eles ou lamento como o pai do filho pródigo lamentou?
- Quando ensino valores, estou disposto a andar pela fé e nunca desistir, não importe o quão difícil pareça?